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quinta-feira, 14 de março de 2013

Evidências da Ressurreição I




“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?
E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou.
E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.”
(1 Coríntios 15:12-14)


             A ressurreição de Cristo é um dos fatos históricos mais bem atestados do mundo antigo!
           Há inúmeros trabalhos acerca da evidência da ressurreição. Tanto cristãos quanto não cristãos tem escrito sobre este evento. Em um debate em 1987, com o especialista na ressurreição Gary Habermas, o ateu Antony Flew começou a questionar se o cristianismo não seria real, se Cristo realmente não teria se levantado dos mortos. Alguns anos depois, depois de muitas conversas com Habermas, Flew se converteu e escreveu um livro intitulado “Há Deus!”.
       De fato, as evidências a favor da historicade do cristianismo são gritantes. Mas, infelizmente, muitos de nós não temos conhecimento disso. Se apresentássemos as evidências da ressurreição a nossos vizinhos, colegas de trabalho, de faculdade...mostraríamos que é mais difícil não acreditar no cristianismo.
            Gosto muito do que Pedro diz em sua primeira carta:
            “Estejamos preparados para dar a razão da fé que há em vós.” (1Pe 3.15).
            É um convite a defender a fé cristã.
          Se expuséssemos o caso de Cristo perante um tribunal, com as evidências que temos hoje, talvez muitos concordassem que Jesus existiu. Claro que muitas vezes a negação da fé cristã vai além das questões de evidências, atingindo áreas emocionais e espirituais.
            Portanto, como um historiador, que muitas vezes faz o papel de detetive, apresentarei as evidências existentes para o caso de Jesus. Fica a critério de cada um declarar se as evidências apontam na direção da veracidade ou da falsidade.
            Quero, em uma sequência de posts, refazer a última semana de Jesus, percebendo o que a história e a arqueologia pode nos apontar sobre estes eventos e sobre a vida cotidiana naqueles tempos. 


               Como a história e a arqueologia podem nos ajudar a compreender melhor a Bíblia?




A palavra arqueologia provém de dois termos gregos, archios e logos, que significam literalmente “estudo das coisas antigas”. Hoje em dia a palavra se aplica ao estudo de materiais escavados pertencentes a eras anteriores. A arqueologia bíblica pode ser definida como um exame de artefatos antigos, outrora perdidos e hoje recuperados, que se relacionam ao estudo das Escrituras e à caracterização da vida nos tempos bíblicos.
            A arqueologia é fundamentalmente uma ciência. O conhecimento neste campo é obtido por meio da observação e do estudo sistemático, e os fatos descobertos são avaliados e classificados em um conjunto organizado de informações. A arqueologia é uma ciência composta porque se vale do auxílio de várias outras ciências, como a química, a antropologia e a zoologia.
        Portanto, arqueologia nos ajuda a compreender as Escrituras na medida em que ele revela a vida nos tempos bíblicos, o significado real de passagens bíblicas obscuras e como entender narrativas históricas e os contextos bíblicos.
            A arqueologia também ajuda a confirmar a exatidão de textos bíblicos e o conteúdo das Escrituras, através de achados materiais e fragmentos de textos. Ela tem revelado a falsidade de algumas teorias interpretativas da Bíblia, auxiliando a comprovar a exatidão dos originais gregos e hebraicos e mostrando que o texto bíblico foi transmitido com alto grau de precisão. Também tem confirmado a exatidão de várias passagens das Escrituras, como por exemplo, declarações de diversos reis e personagens,como Poncio Pilatos e Caifás (fonte: Bíblia anotada Charles Ryrie. A arqueologia e a bíblia (artigo). Mundo Cristão, p. 1306-1307).

Algumas descobertas sensacionais 

(Bíblia de Estudo defesa da fé. Como a arqueologia confirma a Bíblia. Walter Kaiser Jr, p. 1211-1213). 

Descoberto no Egito, em 1920, o “papiro John Rylands”. É o mais antigo fragmento conhecido de um manuscrito do Novo Testamento. Este pequeno fragmento do Evangelho de João (Jo 18.31-33, 37, 38), foi datado por papirólogos [os estudiosos de papiros] como sendo de 125 d.C. Mas, como estava muito ao sul, no Egito, o deslocamento deste fragmento ajuda a estabelecer a data da composição do evangelho de João entre 85 e 90 d.C.

          Os rolos do Mar Morto, encontrados em 1948, em cavernas em Qumram, nos fornecem aproximadamente 800 manuscritos de cada livro do Antigo Testamento. Estes manuscritos datam do ano 1d.C e mostram a exatidão dos textos bíblicos.

Cavernas do mar morto. Comunidade de Qumran, onde foram encontrados diversos manuscritos comprovando a antiguidade dos textos bíblicos. (em sentido anti-horário, começando na esquerda: jarro onde eram conservados os textos; uma das cavernas; um exemplo de um papiro contendo uma passagem bíblica. 

               Em 1990, uma arca contendo ossos foi acidentalmente descoberta em Jerusalém. Esse “ossuário de Caifás” pertenceu ao sumo sacerdote do período de 18-36 d.C. (ver Jo 11.49-53)




            
               Mais exemplos: inscrição de Pôncio Pilatos, o tanque de Silóe (escavado em 2004), a tumba de João Batista (Shimom Gibson), o ossuário de Tiago, irmão de jesus, filho de José (livro: O irmão de Jesus, Hershel Shanks) etc.

             Todos esses achados, mesmo que não comprovem diretamente a vida de Jesus, nos ajudam a estabelecer como muito confiáveis as narrativas dos evangelistas e dos autores do Novo Testamento. 
                 No próximo post, comentarei um pouco sobre A Palestina nos tempos de Jesus. 






terça-feira, 12 de março de 2013

A maldição de Noé, a África e os negros


Resposta à:



          Carlos Orsi escreveu este texto após a eleição de Marco Feliciano para presidir Comissão dos Direitos Humanos da Câmara.
          Primeiramente quero dizer que realmente não concordo com as frases de Marco Feliciano, e deixar claro que ele não representa TODOS os evangélicos e sim uma parcela; talvez ele represente ele mesmo...
Entretanto o texto “A maldição de Noé, a África e os negros” tem alguns problemas com relação à interpretação da Bíblia. Deve-se apontar que apesar de um indivíduo que se diz evangélico afirmar uma interpretação da Bíblia, isto não quer dizer que esta interpretação seja a visão de todos os evangélicos. No caso do pastor Feliciano, suas afirmações passam muito longe do que estudiosos da Palavra acreditam. Mas o blogueiro Carlos Orsi também está equivocado em algumas afirmações e acho que ele também deveria rever seu conhecimento da Bíblia. Sua visão de “contradições bíblicas” revela como as pessoas estão desinformadas com relação ao texto bíblico (tanto ateus quanto “crentes”, infelizmente). Apresento aqui, alguns contra-argumentos à postagem de Carlos Orsi. 
                
          1º. Argumento: o dilúvio bíblico é uma “fanfic”, baseado no épico de Gilgamesh.
        Contra-argumento: Aqui há um desconhecimento de ambas as narrativas. Apesar de outras culturas antigas terem histórias semelhantes, como o outro exemplo da narrativa suméria de Atrasais. Embora existam algumas correspondências notáveis, as diferenças em detalhes e propósitos são importantes. Por exemplo, na história de Gilgamesh, a arca é um cubo perfeito, de aproximadamente 59 metros de lado; uma embarcação deste tipo afundaria em águas turbulentas. A arca de Noé possuía a forma apropriada para navegação, uma embarcação longa e retangular (135 metros de comprimento por 22,5 metros de largura). Nas narrativas não-bíblicas, o propósito do dilúvio é livrar a terra dos incômodos e ruidosos humanos, cuja população explosiva perturba o sono dos deuses, e o único sobrevivente recebe dos mesmos deuses a imortalidade. Em contraste, a narrativa bíblica apresenta uma motivação altamente moral para o dilúvio, pelo qual Deus julga o pecado e também purifica a Terra. Além disso, Noé é mortal, e Deus preserva a família humana através dele.

          2º. Argumento: a narrativa do cap. 7 de Genesis é uma fusão de duas versões conflitantes.
         Contra-argumento: Quem não está familiarizado com o estilo literário do Oriente Médio supõem que as repetições na narrativa bíblica sejam colagens de duas tradições conflitantes. A ordem de levar “dois” de cada espécie (Gn 6.19,20) é uma instrução geral de ajuntar os animais em pares reprodutivos. A seguir temos as instruções especificas, para tomar “sete” desses pares de animais puros, que serão usados para ofertas (Gn 8.20) e somente um par de animais que são impuros (Gn 7.2,3.). Neste caso, a repetição revela que havia mais de um objetivo para reunir os animais.

          3º argumento. Problema da duração do dilúvio.  O verso 17 [de Gênesis 7] diz que foram 40 dias, mas o verso 24 diz que foram 150 dias.  
           Contra-argumento: A cronologia do dilúvio pode parecer confusa, mas é coerente. Noé esperou na arca durante sete dias antes que começasse os quarenta dias de chuva. As águas “prevaleceram” por 150 dias (cinco meses) de destruição (v.24). Isto inclui os 40 dias de chuva, seguidos por 110 dias, durante os quais as águas começaram a baixar, até que a arca repousou em algum lugar nos montes de Ararate.
          Isto não é uma interpretação “caridosa” como Carlos Orsi diz. É uma interpretação exegética básica: em Genesis 7.17 a frase é: “durante quarenta dias houve o dilúvio sobre a terra; cresceram as águas e ergueram a arca.”. Em Gn 7.24, está escrito: “a enchente sobre a terra durou centro e cinqüenta dias.” (Biblia de Jerusalém). Não há contradições. Uma coisa é chover durante um período de tempo; outra é a duração da enchente sobre a terra, até que a água escoasse.
Se seguíssemos a hipótese de Orsi, de que houve um redator/editor final do Pentateuco, teríamos que nos perguntar: como pode haver contradições em um mesmo capítulo? Tal redator/editor não procuraria sanar essas aparentes contradições?

4º argumento. Autoria do Pentateuco. “dúvidas sobre se Moisés sequer teria existido, quanto mais se teria tido condições de escrever cinco livros onde, entre outras coisas, são narrados sua morte e sepultamento.” “A idéia mais aceita hoje, entre estudiosos que não têm uma agenda sectária para defender, é a de que os livros foram escritos por pelo menos quatro diferentes autores -- ou grupos de autores, cada grupo partilhando de uma ideologia e de uma teologia particular -- e os textos posteriormente fundidos por um redator ou editor.”
Contra-argumento: O Pentateuco foi escrito séculos atrás em uma língua diferente, em uma cultura diferente e em uma terra diferente. Os críticos argumentam que eles podem decidir exatamente o que um escritor quis ou não dizer, e nessa base, determinar que parte do documento pertence ou não pertence a ele.  Em outras palavras, os críticos estão baseando seus argumentos na sua própria habilidade de ler um documento que tem 3000 anos, dividi-lo dentro de grupos de utilização de palavras, e então afirmar divisões ocultas e autores separados. Isto é o que faz a Hipótese Documentária, que defende que quatro autores compuseram o Pentateuco e procuram separar as diferentes fontes.  Entretanto, esta é uma hipótese (e nada recente), e como tal deve não deve ser levantada como uma bandeira de certeza.
Moisés - Rembrant

Foi com o filósofo holandês Benedict Spinoza, no século XVII, que se começou a questionar a autoria mosaica. A hipótese documental foi se desenvolvendo até que Julius Welhausen trouxe este conceito para círculos intelectuais na Europa e na América do Norte. Welhausen popularizou a noção de que os cinco primeiros livros da Bíblia foram escritos por várias pessoas.
Outros problemas alegados:
. Narração da morte e sepultamento de Moisés: isto poderia tranquilamente ter sido escrito pelo seu sucessor. Muitos estudiosos, “que não tem uma agenda sectária para defender”, aceitam que o capítulo final do deuteronômio foi um adendo de Josué ou de outro próximo do círculo de Moisés.
. Moisés pode muito provavelmente ter compilado, ao invés de composto, o relato de Genesis. Há indicação que Genesis foi uma compilação de documentos familiares e de história oral que foram cuidadosamente passados adiante. Cada seção foi anexada com uma frase: “estas são as origens”, “estas são as gerações”;  frases que ocorrem ao longo do Genesis (2.4; 5.1; 6.9; 10.1,32; 11.10,27; 25.12,19; 36.1; 37,2) e que as interligam como uma série de registros familiares e genealogias. Algumas vezes, as narrativas são até mesmo chamadas “livros” (5.1, Almeida corrigida e revisada fiel). Como líder dos judeus, Moisés poderia ter tido acesso a estes registros familiares da história passada e poderia tê-los compilado na forma como nós conhecemos o livro de Genesis.
. Críticos tem argumentado que nomes diferentes de Deus em diferentes passagens indicam diferentes autores. Só que mudanças de nomes ocorrem no Genesis de forma enviesada dentro do mesmo capítulo ou seção, levando a algumas incríveis dessecações do texto. Mesmo entre os favoráveis da Hipótese Documental não conseguem concordar onde desenhar as linhas que dividem as diferentes seções. A explicação do porque de diferentes nomes de Deus usados reside no que se quer enfatizar. O termo “Elohim”, majestoso, é uma palavra apropriada quando se esta falando de criação, como em Genesis 1. “Yahweh”, o que faz aliança, é mais apropriado quando Deus se relaciona com pessoas, como em Genesis 2-3. [Moisac Authorship of Pentateuch. IN: Geisler, Norman L. Baker encyclopedia of Christian apologetics, 1999, Baker Books, Grand rapids.]. Mais uma informação: o Oxford Biblie Commentary, uma edição "secular" de comentário da Bíblia, apresenta uma posição dúbia com relação à hipótese documental. No comentário geral do Pentateuco, é apoiada esta tese, já no comentário específico de Gênesis, R. N. Whybray diz que a hipótese documentária tem encontrado forte oposição nos últimos vinte anos; e nenhuma das teorias alternativas que tem sido propostas tem encontrado aceitação geral. O próprio autor não é muito favorável a este teoria e pouco a utiliza em seu comentário. Portanto, entre críticos não cristãos não há uma unanimidade com relação à hipótese documental (The Oxford Bible Commentary, 2001, p. 38 em diante). 
Muito mais poderia se falar sobre a autoria mosaica do Gênesis, mas podemos parar por aqui. (se tiver dúvidas, leia: Mosaic Authorship of the Pentateuch. IN: http://www.apologeticspress.org/apcontent.aspx?category=13&article=36).
Devemos passar mais tempo no cerne da argumentação do post de Carlos Orsi:

4º argumento: a maldição lançada por Noé sobre o neto, Canaã.
Contra-argumento: Quem se dá ao trabalho de ler Genesis 9.18-29 sabe que não há nenhuma base para uma maldição sobre Cam nesta passagem. A maldição foi para Canaã, e é por causa de seu comportamento e não por causa da sua etnia. O mal-entendido e abuso de Gênesis 9,18-29 ilustra o que é a responsabilidade de interpretar corretamente as Escrituras. A ideia errônea de que há uma maldição sobre Cam não é culpa da Bíblia. Outro detalhe bem importante: os cananitas eram caucasianos, brancos.  
No mínimo, é uma pobre exegese e reflete a falta de conhecimento dos estudiosos bíblicos. Usado em um sentido racista, essa ideia errônea é um lembrete da ingenuidade e perversidade com que os seres humanos encontram maneiras de justificar para si mesmos e para os outros seu pecado.
Carlos Orsi está correto quando afirma associação entre Cam (pai de Canaã) e a raça negra serviu a uma motivação política que vem de fora do contexto bíblico: justificar a escravidão dos negros pelos europeus. Ela foi um argumento forte, principalmente, entre os povos protestantes de língua inglesa e, mais ainda, no sul escravocrata dos EUA pré-guerra civil.
Concordo com Carlos Orsi, que quem utiliza este tipo de argumento precisa estudar. Mas, este não é um argumento da bancada evangélica, como aponta o blogueiro. Foi uma frase esparsa de um indivíduo e isto não representa a totalidade do pensamento de uma categoria. Veja um exemplo: o deputado Jean Wyllys certa vez disse: “Defendo, sim, o direito de qualquer pessoa poder dispor do seu corpo da forma que bem entender - inclusive as crianças, pois estas têm as mesmas necessidades que os adultos e não são propriedades de ninguém.” Bom, sem entrar nesta polêmica, mas parece que o deputado estava afirmando que as crianças poderiam assumir responsabilidades de adultos, elas poderiam se casar, assinar contratos, e, inclusive ter relações sexuais. Fica a questão: o deputado Jean Wyllys representa toda a categoria LGTBS? Suas frases representam o pensamento de todo um grupo? Acho que fica difícil concordar com isso.
Mas, fechando, voltando a questão da maldição de Cam. A interpretação de que houve uma relação homossexual entre Noé e Cam é um tanto quanto forçada. O texto simplesmente não dá subsídios para essa interpretação. O texto diz: Gn 9.20-22:
“E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha. E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. E viu Cam, o pai de Canaã, a nudez do seu pai, e fê-lo saber a ambos seus irmãos no lado de fora. Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre ambos os seus ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai, e os seus rostos estavam virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai.”
Qualquer leitor com um mínimo de percepção vê que não há nenhuma alusão à sexo. É uma sugestão esdrúxula, já que “ver a nudez do seu pai” aparece também, de maneira negativa, referindo-se à Sem e Jafé; e aqui mais claramente se trata de algo relacionado à visão e não ao sexo.
A explicação do porque a praga recaiu sobre o neto, Canaã e não sobre Cam é que Cam havia sido abençoado por Deus anteriormente e Noé não podia simplesmente cancelar a benção, portanto amaldiçoou a descendência de Cam.

          Portanto, o que Carlo Orsi nos apresenta é uma critica pedestre dos textos bíblicos. É um grande desconhecimento que paira sobre muitos que criticam o texto bíblico, tentando apontar suas aparentes contradições. Seus argumentos são frágeis, procuram contradições e logo se alegram em encontrar algo com que possa acusar os seguidores deste Livro. Uma sugestão para Orsi: atualize suas fontes de exegese da Bíblia. 



Bibliografia:
Biblia de Estudo defesa da fé. CPAD
Archaeological Study Bible. Zondervan.
Geisler, Norman L. Baker encyclopedia of Christian apologetics, 1999, Baker Books, Grand rapids

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Razões para se guardar o domingo no Novo Testamento


Primeiramente devo dizer que não acho um problema central para a fé a questão de guardar o sábado ou o domingo. Acho que os problemas estão em outro lugar. Argumentar que a religião verdadeira é aquela que guarda o sábado, não é suficiente para a fé cristã. Mas, vamos aos argumentos que corroboram o domingo como um dia especial para os cristãos.
(Muitos argumentos estão indo  contra um estudo adventista: o estudo 11, de página adventista: disponível em http://www.jesusvoltara.com.br/apocalipse/estudo_apocalipse11.htm)

1º. Após o nascimento da igreja em Atos, o Novo Testamento não revela que as atividades celebrativas cristãs foram realizadas aos sábados, mas sim aos Domingos. Na verdade, parece que os primeiros cristãos se reuniam diariamente (ver Atos 6:1).

2º. Em Atos 2:1, está escrito: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes [50 dias depois do sábado da semana da Páscoa, portanto um domingo], estavam todos reunidos no mesmo lugar”.
Vê-se que os discípulos estas todos reunidos no domingo, quando todos ficam cheios do Espírito Santo. O ‘nascimento’ da igreja se deu em pentecostes, que era no domingo. Paulo falando à igreja de Coríntios em 1 Coríntios 16:1-2, diz: “Quanto à coleta para os santos, fazei vós como ordenei às igrejas da Galáxia. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que não se façam coletas quando eu for.” Os primeiros cristãos, aqui, contribuíam com seu dinheiro no primeiro dia da semana. Por que seria feita a coleta no domingo, se os cristãos não se reunissem nesse dia?

3º. Os relatos sobre os sábados no Novo Testamento estão ligados aos judeus e não aos cristãos. Em Atos 18:3;4 (o ponto 8, do estudo 11) Paulo usava o sábado para discutir com JUDEUS NA SINAGOGA, porque este era o dia sagrado para os JUDEUS. E os gregos se juntavam nas SINAGOGAS, para ouvir o que se tinha para dizer ali. Não havia ainda um templo cristão e, se Paulo quisesse evangelizar judeus e gregos, teria que ir a um templo em que estes se encontravam. Paulo estava pregando uma Boa Nova, que ia de encontro a Lei dos judeus, já que eles não entendiam o cumprimento das profecias acerca de Jesus. Inclusive, em Atos 18:13 vemos judeus se levantando e dizendo: “Este persuade os homens a adorar à Deus por modo contrário a LEI.” Quer dizer, Paulo estava pregando coisas que iam APARENTEMENTE contra a lei dos judeus. 

4º. O principal evento do cristianismo, a Ressurreição do Senhor, se deu no Domingo. Esse fato é relatado nos quatro evangelhos, destacando não somente o acontecimento, mas o dia do acontecimento. O estudo 11, no ponto 7, diz que o dia do repouso é sábado, como está em Lucas 23:56. Ok, eles eram judeus e estavam guardando a Velha aliança. Entretanto, olhe como começa o capítulo seguinte:
Lucas 24:1. “MAS, no primeiro dia da semana...”, e no versículo 7: “importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia.”
Apesar de sábado ter sido santo para judeus, Jesus ressuscita no domingo. A partícula MAS é muito significante, mostrando que, apesar do descanso no sábado, algo novo estava para acontecer. Aliás é interessante notar que no estudo 11, não há referência direta à ressurreição de Jesus no primeiro dia da semana, isto é, no domingo. Nem para refutação de argumentos.

5º. Tendo em vista o pentecostes de Atos 2, as primeiras realizações cristãs foram feitas no domingo: 1) primeiro sermão, 2) primeiras conversões, 3) primeiro batismo realizado pela Igreja.

6º. Em apocalipse 1:10 fala do “Dia do Senhor”. Aqui é algo complicado de se afirmar que está se falando do sábado.
O termo “Domingo” é um vocábulo exclusivo do cristianismo. Isso é muito importante para nós. Pois, essa palavra, bem como outras semelhantes, não existia em nenhuma outra língua do mundo até o final do I século, quando o apóstolo João criou a expressão grega: “kyriakê hêmera”, que foi vertida para o latim do seguinte modo: Dominica die. O que significa o termo “ kyriakê hêmera”? A frase significa “o dia do Senhor” e ocorre uma só vez que é aqui em Apocalipse. Essa expressão foi criada por João, e a nossa pergunta é: Por quê? Pode-se apontar duas razões principais para isso:

1) Para indicar algo inédito na história da humanidade: A ressurreição de Cristo.
2) Para deixar bem claro que se referia ao dia da ressurreição de Cristo, ou seja, ao domingo, e não a segunda vinda de Cristo.”

            A pergunta que forçosamente surge agora é: por que formar uma palavra nova para expressar coisas de uma instituição sagrada antiga? Deve-se lembrar que o evangelho era uma instituição nova, por isso necessitou do uso de termos novos.  Assim nós temos “cristãos” em Atos 11:26, como um nome novo para o povo de Deus; “apóstolos”, “evangelistas”, e “diáconos” como os líderes da Igreja; batismo como o rito iniciatório na Igreja, a ceia do Senhor, I Cor 11:20, e o Dia do Senhor, como instituições daquela Igreja. As novas normas originadas pelo evangelho não puderam ser expressadas pela terminologia da velha lei; conseqüentemente palavras novas tiveram de ser cunhadas.
No Novo Testamento nós temos: o sangue do Senhor, o cálice do Senhor, os discípulos do Senhor,  a  mesa  do  Senhor,  a  morte  do  Senhor,  o  corpo  do  Senhor,  a  ceia  do  Senhor,  e  também  o  Dia  do Senhor. Todas estas expressões recorrem a algo que pertence exclusivamente a Cristo debaixo do evangelho.



Dizer que o decreto mais antigo de guardar o domingo é pagão porque foi assinado por Constantino em 321 é um argumento fraco. A questão da trindade só foi considerada um argumento teológico no concílio de Nicéia em 325, realizado pela igreja católica e transformado em um dogma. Isso não invalida a verdade da trindade, mesmo que ela não esteja explicitamente apontada nas Escrituras. Da mesma forma que a guarda do domingo, que já era prática dos primeiros cristãos, não é invalidada porque um imperador oficializou algo que já era da tradição comum.  
Mais argumentos. Antes de Constantino ter vivido, entre 280-337, a história da Igreja mostra que a igreja sempre considerou o “Dia do Senhor” como sendo o “Domingo”. Isso com base na expressão de João em Apocalipse 1.10:
2.1 –O Didachê do Primeiro século – “E no dia do Senhor (Kyriakê hêmera), congregai-vos”.
2.2 – Escritos de Mileto de Sardes – Temos tratados sobre a adoração no domingo cujo do título é: peri kyriakês.(acerca do dia dominical).
2.3 – Inácio de Antioquia – Escreveu: “porque se no dia de hoje vivemos segundo a maneira do judaísmo, confessamos que não temos recebido a graça...Assim pois, os que haviam andado em práticas antigas alcançaram uma nova esperança, já sem observar os sábados, porém, modelando suas vidas segundo o dia do Senhor”( Inácio, ano 115).
2.4 - Em meados do século II, encontra-se o famoso depoimento de Justino, escrito entre 153 e 155: “No dia dito do sol, todos aqueles dos nossos que habitam as cidades ou os campos, se reúnam num mesmo lugar. Lêem-se as memórias dos apóstolos e os escritos dos profetas… Quando a oração está terminada, são trazidos e vinho e água… Nós nos reunimos todos no dia do sol, porque é o primeiro dia, aquele em que Deus transformou as trevas e a matéria para criar o mundo, e também porque Jesus Cristo Salvador, ressuscitou dos mortos nesse dia mesmo” (I Apologia 67, 3. 7).
Nessa passagem, S. Justino atesta a celebração da Eucaristia no domingo. Chama-o “dia do sol” porque se dirige a pagãos; faz questão, porém, de lembrar que tal designação é de origem alheia, não cristã: “no dia dito do sol”.
2.5 - Justino, o Mártir; Eusébio; Clemente de Alexandria(150-168): ensinaram que o “Kyriakê hêmera” criado por João como sendo o dia da ressurreição de Cristo, que foi vertido para o latim como “dominica die”(Dia dominical).E foi passado para nossa língua como domingo.”

7º. Colossensses 2.16,17 impede que qualquer guardador do sábado lance julgamento contra quem não guarda o sábado. “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festas, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.”

Ao contrário do que se pensa, o Novo Testamento cita sim mandamentos do Velho Testamento. Fala de toda a Lei de Moisés, mas não repete o quarto mandamento (guardar o sábado) em nenhum lugar. Façamos uma comparação dos dez mandamentos dentro do Novo Testamento:

VELHO TESTAMENTO

1º mandamento - Êx 20.2,3
2º mandamento - Êx 20.4-6
3º mandamento - Êx 20.7
4º mandamento - Êx 20.8-11
5º mandamento - Êx 20.12
6º mandamento - Êx 20.13
7º mandamento - Êx 20.14
8º mandamento - Êx 20.15
9º mandamento - Êx 20.16
10º mandamento - Êx 20.17

NOVO TESTAMENTO

1º At 14.15
2º 1Jo 5.21
3º Tg 5.12
4º Não existe
5º Ef 6.1-3
6º Rm 13.9
7º 1Co 6.9,10
8º Ef 4.28
9º Cl 3.9
10º Ef 5.3
Fonte: http://www.icp.com.br/43materia1.asp 

Se fizermos um estudo sistemático da palavra “mandamento” no Novo Testamento, teremos uma visão melhor do que era mais importante no Evangelho de Jesus.
O ponto 10, do estudo 11 da página adventista, fala: Qual deve ser a razão para se guardar o sábado? E aponta a leitura de João 14:15, onde Jesus diz: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” “Meus” aqui está se referindo a Jesus.
A palavra mandamento ocorre numerosas vezes no Novo Testamento, fazendo referência ora a Lei recebida por Moisés, ora ao espírito da lei, que seria cumprida na morte e ressurreição de Jesus Cristo.
O livro de Mateus, escrito para um contexto judaico, e o de Romanos, destinado à cristãos de origem judia e romana, são os que mais citaram a palavra “mandamento” ou seu sinônimo “lei”, até porque tinham que lidar com as confusões que os novos cristãos estavam enfrentando. 
Basta uma passagem pra elucidar o que Jesus pensava dos mandamentos: Mateus 22:35-40. Sendo interrogado por um doutor da lei sobre qual é o maior mandamento da lei, Jesus responde: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo,   semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”
Resumindo assim todo o velho testamento, Jesus mostrava o real significado dos mandamentos.
Assim, que mandamentos devemos guardar na passagem de João 14:15? Os mandamentos de Jesus, que eram amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, e de todo o pensamento. E Também, amar o próximo como a mim mesmo. É isto, nada mais importa, não são através de sacrifícios ou de obras que obteremos a salvação, mas da fé somente na graça salvadora do sacrifício expiatório de Jesus Cristo.

Mais material de consulta:
fonte: Pr. Erivelton Rodrigues Nunes, Jesus é o Senhor do sábado?. EBD, IN: http://www.erivelton.com.br/file/arquivo/jesus_senhor_do_sabado.pdf
http://www.icp.com.br/43materia1.asp

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Apologética é para todos

     Gostaria de começar um novo assunto aqui no blog. É sobre apologética, algo acerca do qual tenho lido bastante e refletido muito nestes últimos meses. 
     Apologética pode ser definida basicamente como a defesa da fé cristã. A palavra "apologética" deriva da palavra grega apologia, que era usada originalmente como uma palavra de defesa. 
     Em I Pedro 3.15 lê-se:
     "Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder      
      com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós." (Almeida    
     Fiel).
     A palavra "razão" empregada neste texto, no seu original grego traz "apologia". Esta palavra aparece 17 vezes no Novo Testamento e pode ser traduzida sempre como "defesa" ou "justificativa".  
     Na Atenas antiga, esta palavra se referia a uma defesa feita no tribunal, como parte dos procedimentos judiciais normais. Depois da acusação, o réu tinha permissão de refutar a acusações com um defesa (apologia). 
     É exatamente com esse signifcado que Pedro no aponta que devemos estar sempre prontos para fazer uma defesa do que cremos. 
    Defender a fé não é algo destinado somente para apologistas treinados profissionalmente. Todos os cristãos são chamados para evangelizar e todos temos a responsabilidade de aprender como dar razões que suportam a credibilidade do evangelho. Temos uma mandato apologético. 
     Em Mateus 22.37 Jesus respondendo a doutor da lei, que perguntou qual é o maior mandamento, disse:
     "Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento".  
      (Almeida Fiel). A NVI traz: "de todo o teu entendimento", outras versões trazem "mente".   
Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,


1 Pedro 3:15-16
Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,


1 Pedro 3:15-16
     O cristianismo pode e deve ser defendido de forma racional. Temos um mandato do próprio Jesus, de amar e conhecer a Deus com todos os nossos sentidos e com nossa mente. 
     No mundo pós-moderno que vivemos hoje, em que os valores são relativizados e a experiência religiosa é uma simples resposta para os problemas do homem neste mundo, todo cristão devia se fortalecer e procurar conhecer mais acerca das verdades da fé. Quantas histórias conhecemos de pessoas que abandonam a fé ao entrar na faculdade. Na verdade, sua fé já vem sendo minada desde o início da vida escolar, onde teorias são apresentadas como sendo a única verdade. O problema é que nossos jovens não estão preparados para combater as idéias contrárias ao cristianismo. Ao estudar e nos aprofundarmos nas verdades do evangelho e estivermos preparados para empregar uma apologia do cristianismo, mostraremos que a fé cristã não é UMA crença entre muitas outras e que há sim, vida inteligente após a conversão. 


          Paulo pregando em Atenas no Areópago. Pintura de Rafael, 1515. Em Atos 17, Paulo faz uma pregação apologética, levando em consideração os deuses e a cultura grega.

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