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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Adoração alienada


Com certeza, uma das marcas dos Evangélicos é a adoração, mas um modo específico conduzido através de músicas. A Bíblia tem uma definição mais dilatada do que é “adoração”. Segundo o Lexico da concordância de Strong, adoração significa: “se curvar, prostrar-se ante um ser superior, em sinal de homenagem. No Antigo Testamento este termo é usado para se curvar diante de Deus, de falsos deuses, e de anjos. Portanto, a adoração velho-testamentária era antes de tudo um posicionamento.
              No Novo Testamento, Jesus disse que:
          “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (Jo 4:23)

            O problema é que a Igreja tem focado muito em adoração “espiritual” (com um milhão de aspas) e deixado de lado as preocupações para com aqueles que estão ao lado. O Próximo. Estamos somente olhando para cima, como os santos em apocalipse, cantando “Glória, Glória, Glória” e nos esquecemos que adorar a Deus é também fazer a sua vontade. E a vontade d’Ele não era que ficássemos olhando para cima somente. Já no início da Igreja ocorreu o perigo de se ficar sentado, esperando ociosamente a volta de Jesus. Tanto que os anjos falam aos discípulos boquiabertos:
            “Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” Atos 1:11.
   Em outras palavras: vão, mexam-se!
              Reafirmo a crítica de Russel Shedd, de que os cristão hoje não estão conscientes de que sua adoração reflete a teologia prática da comunidade onde estão inseridos.
   E ainda mais chocante: “Os evangélicos têm a tendência de separar a centralidade do senhorio de Cristo, biblicamente fundamentada, do viver cotidiano, de modo que a adoração se torna, com efeito, compartimentada em cápsulas de uma hora de duração (...). Mas o Novo Testamento projeta uma visão de adoração que invade toda a vida com a presença e a glória de Deus.” (Russel Shedd. Adoração bíblica, p. 190).
   Nos escritos do Novo Testamento não vemos uma divisão entre tempo sagrado e tempo secular. Não havia um dia certo para adorar, mas todos os dias eram dias “santos”.    
   Mesmo no Antigo Testamento, a adoração não se restringia a um louvor em um santuário.
    Para Calvino, os 10 mandamentos foram escritos em duas tábuas mostrando que a devoção e a justiça devem caminhar de mãos dadas. A primeira tábua trata dos deveres para com Deus (1) amar a Deus sobre todas as coisas; 2) não terás outros deuses além d’Ele e não farás para ti nenhum ídolo; 3) não dirás em vão o nome do Senhor; 4) Lembra-te do dia de sábado para o santificar); a segunda diz respeito às relações com o próximo (5) honra teu pai e tua mãe; 6) não matarás; 7) não adulterarás; 8) não furtarás; 9) não darás falso testemunho contra o teu próximo; 10) não cobiçarás . (Institutas Livro 2, capítulo 8, subtítulo 11). Assim, o fundamento da justiça é o serviço a Deus e este é impossível sem um relacionamento justo com as outras pessoas (Alderi Souza de Matos. Os reformadores e a lei – valor, semelhanças e diferenças. Disponível em: http://www.mackenzie.br/6968.html, consultado em 04/09/13).
   Logo à frente na Bíblia, no mesmo contexto de definições da maneira como Deus devia ser cultuado, em Exodo 22.16-31, vemos que a adoração do fiel também devia levar em consideração responsabilidades sociais. Ali temos consciência de que para a Israel antiga toda a vida estava enraizada na adoração, e a qualidade da adoração das pessoas era demonstrada em parte pela sua conduta para com os outros (Archealogical study bible, nota 22.16-31, p. 128).  
            Para Amós Deus conclamou seu povo a deixar de adorar somente com os lábios e fazer coisas práticas:
               “Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras.Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene! " (Amós 5:23-24).

             É interessante perceber que Paulo em Romanos 12, caracteriza juntamente as diferentes ações no corpo de Cristo, a Igreja, como adoração espiritual; mesmo o serviço a (a diakonia) fazem parte da adoração.
              Em um outro exemplo, o autor de Hebreus retrata a adoração cristã como “fazer o bem e repartir (Hb 13.16).
         “O Novo Testamento certamente nos desafia a nos apropriarmos do verdadeiro conceito de adoração. Todos os pensamentos, palavras e atos devem ser realizados como adoração, porque o Cordeiro é ‘digno de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e gloria e louvor (Ap. 5.12)’.
            Shedd interpreta essa passagem de maneira bem clara: “Esta oferta de sete elementos, que as inúmeras hostes angelicais proclamam que o Cordeiro é digno de receber, na realidade só pode ser dada pelos remidos na terra. São eles quem têm riqueza para dar, riqueza que já não é totalmente deles. A sabedoria obtida na terra deve ser usada e disseminada por causa da Sua excelência. A força corporal deve ser usada para promover seus propósitos. Para a Sua honra, glória e benção, falamos, escrevemos, trabalhamos, brincamos, comemos e dormimos, pois ele é digno de toda força da vida que pulsa dentro de nós (Russel Shed. Adoração bíblica, p. 226).  
    Algo que vai na contracorrente do que vemos nos autointitulados avivamentos neo-pentecostais atuais foi a ação social dos movimentos de avivamento dos séculos XVIII e XIX. Esses movimentos se caracterizavam por uma intensa atuação social. Por essa época, na Inglaterra ocorreram o avivamento e o surgimento do metodismo dos irmãos João e Carlos Wesley, movimentos estes voltados para ações em prol de pessoas carentes e de trabalhadores. “Duas causas em que os evangélicos ingleses se envolveram foram a reforma das prisões e a luta pela eliminação do trabalho infantil nas indústrias de tecidos. Os evangélicos também participaram ativamente, sob a liderança do político William Wilberforce, da campanha pela supressão da escravidão e do tráfico de escravos.”
   “Simultaneamente ao que acontecia na Inglaterra, nos Estados Unidos também ocorreram dois influentes avivamentos. O chamado Primeiro Grande Despertamento verificou-se por volta de 1740 e teve como principais personagens o pastor e teólogo Jonathan Edwards e o pregador George Whitefield, ambos solidamente calvinistas. Edwards escreveu várias obras importantes nas quais descreveu e analisou cuidadosamente o avivamento. Uma das suas contribuições foi a elaboração de critérios mediante os quais se pode avaliar a autenticidade ou não de um avivamento. Ele concluiu que entre as marcas de uma verdadeira manifestação de Deus está, além da transformação espiritual de indivíduos, uma presença transformadora e renovadora da igreja na sociedade. O Segundo Grande Despertamento, ocorrido nas primeiras décadas do século 19, teve como um de seus subprodutos o surgimento de muitas “sociedades voluntárias”, associações de evangélicos voltadas para um grande número de causas relevantes como missões, educação religiosa e secular, e desafios sociais (abolicionismo, temperança, etc.).” (Alderi Souza de Matos. Estudos sobre a ação social cristã. Disponível em http://www.mackenzie.br/7152.html, consultado em 04/09/13).
                 Muito mais podia e deve ser escrito sobre isso, mas talvez já nos baste por ora. Devemos fazer então uma auto-análise: Nossa adoração se centra unicamente em torno de edifícios, estruturas e horários pré-estabelecidos? Quanto de nossa adoração tem sido feita de maneira alienada, afastada dos problemas em nossa volta? Estamos olhando tão para o alto, ocupados em sermos “espirituais” que não temos tempo para cuidar do próximo? Nossa igreja está preocupada com questões sociais? EU estou preocupado em fazer diferença na minha sociedade, me colocando em uma posição de adoração àquele que clamou todas as coisas para si?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Refutação Bíblica a palavra do Silas Malafaia sobre "Uma Vida de Prosperidade" por Ruy Marinho

Ótimo texto refutando a teologia da prosperidade e suas raízes nas igrejas brasileiras. Concordo com todos os argumentos do autor. Vale a pena ler e separar o joio do trigo das nossas igrejas. 

 

Refutação Bíblica a palavra do Silas Malafaia sobre "Uma Vida de Prosperidade"

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Recentemente, o tele-pastor Silas Malafaia veio a público desafiar os "blogueiros, críticos de meia-tigela e sites de bandidos travestidos de evangélicos... quem planta notícia em internet, invejosos, caluniadores..." [1], a mostrar biblicamente onde é que se encontram as falhas teológicas de sua pregação sobre a teologia da prosperidade, que “ele prega e crê” [2].

Talvez o título dessa postagem fosse mais conveniente com a frase: Ensinando Silas Malafaia a deixar a colher e comer de garfo! Seria uma resposta a própria afirmação dele de que, quem o critica “come de colher e quer ensiná-lo a comer de garfo”. Porém, não posso deixar de lado o que a Bíblia diz em 1 Pedro 3.14-17: 

“Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom? Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem aventurados sois, Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados, Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pede razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo, porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal.” (negrito meu)

É de conhecimento de todos que, há alguns anos o tele-pastor desvirtuou-se de sua posição clássica contrária aos modismos e heresias, inclusive que ele mesmo criticava e condenava [3], para aderir à perniciosa teologia da prosperidade. Com isso, o mesmo vem promovendo uma série de distorções bíblicas e heresias gravíssimas, além de abrir a porta para pregadores heréticos da tal teologia mercantilista vindos de outros países. Basta pesquisar aqui no blog para constatar que existem inúmeros artigos de refutação e denúncias das práticas anti-bíblicas de Silas. Inclusive, destaco um ótimo resumo crítico que foi publicado recentemente no Púlpito Cristão, no qual você pode ver aqui!
Embora Silas Malafaia tenha feito o desafio com um tom ofensivo de deboche e covardia, eu farei a refutação de sua palavra supra-citada não pelo desafio em si, mas pelo dever em defender o evangelho, aja visto ter detectado em sua pregação várias distorções bíblicas e conclusões errôneas feitas pelo tele-pastor, referentes ao que ele defende. Portanto, para ser mais direto e categórico, vou me conter em refutar somente a pregação do Silas Malafaia neste programa específico, onde ele desafia os blogueiros (dos quais incluo-me).
A primeira parte de sua pregação - com base na teologia da prosperidade - denominada “uma vida de prosperidade”, foi ao ar no último sábado, dia 2 de maio de 2012. Veja abaixo:




Em sua pregação, para começar ele cita três pontos que serão abordados: o que é a oferta, características de um ofertante e o resultado na vida do ofertante. Silas utiliza 2Co 9.1-15 de uma maneira desconexa e fragmentada, utilizando somente de alguns versículos desta passagem para fazer a sua defesa da teologia da prosperidade, algo normal de uma pessoa que prega tal conceito, pois não há o costume de utilizar uma pregação expositiva equilibrada. Ele ainda afirma que esta passagem é o “melhor compêndio no Novo Testamento sobre o assunto". 

Porém, ao sair do círculo fechado e fragmentado que Silas arma em torno de 2Co 9.1-15, afirmando a prosperidade financeira como recompensa para todos os crentes que ofertam, não tem como ignorar todo o contexto bíblico que trata de dinheiro, principalmente as passagens que afirmam o contrário do que Silas defende. Como harmonizar, por exemplo, a sementeira e a colheita de 2Co 9 com esta outra passagem que diz “Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” (I Tm 6.8-10, ARA) ? 

O que dizer então das palavras do Mestre: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.19-24, ARA ) ?

Enquanto uma passagem supostamente afirma (segundo Silas) que podemos ofertar com a promessa de prosperidade financeira plena, outras afirmam exatamente o contrário, que não devemos enfatizar a prosperidade financeira! Tem alguma coisa errada aí! Será que Silas Malafaia está pregando algo correto à luz do contexto bíblico? Será que Deus ficaria preso na condição de obrigação em recompensar financeiramente quem oferta?
2Co 9.1-15 pode ser o “melhor compêndio” sobre o assunto conforme ele afirma, porém não é o único, principalmente no Novo Testamento! Não se pode interpretar uma passagem isolada de outras que tratam do mesmo assunto (regra básica de hermenêutica).
Quando desfragmentamos os versículos isolados que Silas utiliza e analisamos a luz do contexto imediato desta passagem, veremos facilmente que o foco de Paulo não é a prosperidade financeira para os crentes em resposta ao ato de ofertar, mas sim a necessidade de ajudar financeiramente - com alegria e deliberadamente - os irmãos mais pobres. Paulo usa como exemplo aos Coríntios (uma igreja com membros financeiramente estáveis) de como os irmãos macedônios foram generosos nas ofertas enviadas à igreja de Jerusalém. Mesmo com sérias limitações financeiras (profunda pobreza, 2Co 8.2) eles tiveram alegria em ajudar os irmãos pobres. Este exemplo deve ser aplicado a nós nos dias de hoje com total significância. Porém, não com o objetivo de barganhar com Deus, esperando algo em troca.
Uma pergunta que devemos fazer: será que as ofertas e desafios financeiros que, tanto Silas Malafaia, quanto os demais tele-pastores fazem em seus programas são destinados aos pobres da Igreja? Não, pois eles categoricamente afirmam qual é o destino do dinheiro doado em suas coletas: sustentar os programas de TV (valores milionários), viagens nacionais e internacionais, mega-cruzadas caríssimas, jatinho particular etc. Posso estar errado, mas eu nunca vi Silas fazendo um desafio financeiro para ajudar os pobres da Igreja. 
Continuando a análise ao vídeo, Silas comete outro erro grave: ao citar 2Co 9.4, ele afirma que “a oferta tem sólida base no mundo espiritual”. Para chegar a esta conclusão, ele utiliza a tradução bíblica Almeida Corrigida Fiel onde diz na parte final “...firme fundamento de glória”[4]. Porém, ao analisar melhor outras traduções da bíblia (inclusive o grego original), bem como o contexto direto (vs 1 a 4), veremos exatamente o que Paulo afirma: “Não tenho necessidade de escrever-lhes a respeito dessa assistência aos santos. Reconheço a sua disposição em ajudar e já mostrei aos macedônios o orgulho que tenho de vocês, dizendo-lhes que, desde o ano passado, vocês da Acaia estavam prontos a contribuir; e a dedicação de vocês motivou a muitos. Contudo, estou enviando os irmãos para que o orgulho que temos de vocês a esse respeito não seja em vão, mas que vocês estejam preparados, como eu disse que estariam, a fim de que, se alguns macedônios forem comigo e os encontrarem despreparados, nós, para não mencionar vocês, não fiquemos envergonhados por tanta confiança que tivemos.”(NVI, grifo meu)
Portanto, concluímos facilmente duas coisas: primeiro, que não se deve fazer uma exegese profunda em um texto bíblico considerando somente uma tradução da bíblia; segundo, que a passagem em si não há, absolutamente, nada de super sobrenatural como Silas afirma, mas a passagem narra a demonstração de confiança e orgulho que Paulo tinha pelos crentes de Corinto, na certeza dos mesmos ajudarem através das ofertas os irmãos pobres da Judéia, conforme fizeram os irmãos da Macedônia. 
Mais um erro teológico de Silas: Ele cita, estranhamente de forma fragmentada parte de 2Co 9.5, onde diz “...e preparassem de antemão a vossa bênção” [negrito meu], afirmando que a palavra “benção” nesta passagem significa “um meio de receber favor Divino e meio de felicidade”. Ou seja, segundo Silas, em resposta a oferta haverá uma ação direta de Deus em abençoar os ofertantes! Isto é uma distorção forçada do texto, pois no contexto direto a palavra benção está direcionada a uma ação direta dos ofertantes aos que receberiam as ofertas! Embora reconheça que Deus pode, segundo a vontade Dele, abençoar a vida financeira de quem ajuda, não é o que este versículo em si afirma. Os “abençoados” são os que recebem as ofertas e não os que ofertam!
Veja a mesma passagem em outra tradução: “...concluam os preparativos para a contribuição que vocês prometeram. Então ela estará pronta como oferta generosa, e não como algo dado com avareza.” (NVI, negrito meu) No original grego, a palavra utilizada é eulogia (benção), empregada neste contexto como "generosidade" [5]. Lembrando que o significado da palavra “benção” é variável, no caso desta passagem se enquadra na definição de “expressão ou gesto com que se abençoa. Benefício, favor especial.” [6]
Continuando, Silas cita 2Co 9.10 “Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, e pão para comer, também multiplicará a vossa sementeira, e aumentará os frutos da vossa justiça”, afirmando que Deus nos dá a semente para ofertar. Está correto! Afinal, Deus é o provedor de tudo, o homem não dá do que é propriamente seu, e sim daquilo que Deus lhe tem dado (veja At 17.25). Mas, para quê serve esta semente que Deus nos dá? Para sustentar ministérios milionários de tele-pastores que cada vez mais ficam ricos para esbanjar “prosperidade”, em troca de uma suposta benção financeira sobrenatural? Não! 
A semente que provém de Deus é para ajudar os pobres da igreja para que todos sejam abençoados e Deus seja glorificado! Veja o contexto direto no versículo 9: “Como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre” (ACF, negrito meu), uma citação que Paulo faz de Salmos 112.9 para mostrar que a generosidade à quem precisa é característica de todo Cristão. Deus abençoa a nossa vida para “aumentar os frutos da nossa justiça”(vs9), para “toda a generosidade”(vs11) e para “suprir as necessidades dos santos” (vs10). Ou seja, Deus pode, segundo a vontade Dele, prover em nossas vidas quando ajudamos os pobres da Igreja, principalmente para aumentar a possibilidade desta ajuda continuar cada vez mais: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?” (1Jo 3.16-17, ARA)
Mais um erro de Silas: Ele cita parte do VS 12 “...porque a administração deste serviço”, para afirmar que a oferta é um serviço para Deus. Logo em seguida, ele cita 1Co 15.58 que diz “que o nosso trabalho não é em vão” para afirmar que, se é um trabalho, Deus vai recompensar. Ainda cita Jr 21.14 que diz “o Senhor recompensará a cada um segundo o fruto das tuas ações”. E termina afirmando que: “se a oferta é um serviço para Deus, Ele vai nos recompensar da mesma forma que alguém trabalha e tem que receber salário.”
Errado Pr. Silas! O contexto de 1Co 15.58 em nenhum momento é formalizado um contrato de trabalho entre nós e Deus com promessa de honorários financeiros, muito pelo contrário, fala da esperança que os Coríntios deveriam ter no dia da ressurreição para continuarem perseverando na fé, mesmo sob ensinos falsos e várias tentações, sabendo que os esforços para o serviço à Deus nunca será em vão (veja Is 65:17-25). 
Segue o contexto direto da passagem em questão: “Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?  O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” [1Co 15.50-58, ACF, negrito meu]. 
E sobre Jeremias 21.14, veja o que diz: “Eu vos castigarei segundo o fruto das vossas ações, diz o SENHOR; e acenderei o fogo no seu bosque, que consumirá a tudo o que está em redor dela.” (ACF) O texto fala de castigo e não de recompensa financeira! Que distorção bíblica grosseira Pastor Silas!
Dando continuidade na análise do vídeo, Silas agora discorre para os resultados na vida de um ofertante. Logo de cara ele afirma que “Deus trabalha com a lei da recompensa”. Para tal afirmativa, ainda divide esta lei em “5 leis que funcionam na vida de um ofertante”. Chamo a atenção para algo gravíssimo: colocar a condição de lei para Deus é neutralizar a onisciência Dele! É afirmar que Deus trabalha somente em troca do nosso dinheiro! Afinal, se temos que cumprir esta lei, Deus também tem o dever de cumpri-la. Estaria Deus amarrado em uma condição humana?
Para a 1ª lei, Silas utiliza 2Co 9.6 afirmando a “lei da semeadura”: “E digo isto: o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância também ceifará.” Esta passagem está em conexão com todo o contexto direto, no qual já tratamos nesse artigo (veja explicação acima sobre os versos 9 e 10). 
Se esta suposta lei da semeadura financeira funcionasse como Silas afirma, porque existem cristãos pobres que precisam de ajuda da própria Igreja? Falta de fé para ofertar o que não tem? Porque então Paulo organizou esta coleta de ofertas aos Pobres da Judeia, ao invés de fazer um desafio financeiro para eles serem abençoados com a lei da semeadura? Inclusive o próprio Paulo passou por muitas necessidades ( Fp 4.10-20, 2Co 11.27). Porque Jesus se fez pobre durante seu ministério na terra (2 Co 8.9) não tendo sequer aonde reclinar a cabeça (Mt 8.20)? Porque Jesus também disse que dificilmente entraria um rico no reino dos Céus (Mt 19.23-24), e ainda disse para não juntar tesouros na terra, mas no Céu (Mt 6.19-24)? Estaria Paulo pregando uma teologia contrária à Bíblia e entrando em contradição consigo próprio? Claro que não! A teologia contrária a Bíblia é a que Silas Malafaia tenta defender sem êxito.
Paulo cita esta metáfora baseada na vida agrícola para mostrar que, aquilo que é doado nunca se perde, é semeado. Embora Deus, às vezes, proveja uma colheita generosa no terreno físico, principalmente para aumentar as possibilidades de ajuda aos pobres da Igreja, esse não é o padrão e nem é a promessa do Novo Testamento, muito pelo contrário, veja: 2 Co 8:9, 11:27, Lc 6:20-21, 24:25, Tg 2:5.
Tentando justificar a demora na “colheita” de muitos, Silas ainda faz uma analogia entre o tempo de cumprimento da “lei da semeadura” com as sementes de frutas naturais. Dentre várias frutas, ele cita tamarindo, uma fruta que demora até 60 anos para começar a dar frutos. Com isso, ele justifica que pode demorar muito para alguém receber o pagamento da tal “lei da semeadura”. Ou seja, o que você ofertar, talvez nem receba de Deus nesta vida. Na verdade, trata-se da famosa "desculpa espiritual" dos adeptos da teologia da prosperidade para os que não receberam a sua colheita, mesmo depois de ofertar. Engraçado que na hora dos desafios televisivos é exaustivamente enfatizado que Deus vai nos abençoar, que vamos colher cem vezes mais, que vamos ter uma vida próspera, que vamos pagar nossas contas e ter prosperidade em abundância etc.
Na 2ª lei, Silas cita 2 Co9.7 onde diz “...porque Deus ama a quem dá com alegria”, o que seria a “lei do amor de Deus sobre o ofertante”. Logo após, solta uma pérola histórica: “você não vê Deus usando essa palavra de amor pra salvação” E ainda pede para avisá-lo se alguém souber de outra passagem bíblica que utiliza esta expressão de amor de Deus, pois ele não sabe de tudo da Bíblia. 
Sinceramente, alguém que faz tal afirmação deixa-me mais desconfiado ainda do quanto a pessoa é desprovida de conhecimento Bíblico, veja: Jo 3.16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito para que todo que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (negrito meu) Leia também 1Jo 4.9 e Rm 5.8. 
A 3ª lei, segundo Silas, consta no versículo 8, onde diz: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra,”(ARA) o que seria a “lei total do favor de Deus, a graça”. Silas afirma – corretamente – que a graça é o favor imerecido, benevolente e amoroso de Deus para o homem. Mas comete um erro gravíssimo afirmando que “a oferta chama a graça de Deus para nós”. Ora, se a graça é um favor imerecido, como pode ser merecido ao mesmo tempo? 
Para piorar, segundo este pensamento Silas afirma que através da oferta nós podemos obter soluções de problemas emocionais, curas e soluções de problemas financeiros. Enfim, erros gravíssimos e infantis que nem um aluno novo de Escola Bíblica dominical confunde.
O versículo em questão não dá margem para esta interpretação incorreta. No verso 8 diz que Deus pode nos abençoar para sermos um instrumento de sua graça, fazendo que tenhamos o suficiente para continuar ajudando os pobres. Quando os santos carentes recebem uma generosa doação de outros crentes, eles reconhecem que Deus é a fonte da generosidade, reconhecendo o dom inefável de Deus (vs 15). E assim eles respondem com ações de graças e louvor a Deus por Sua graça em suas vidas (v. 11). E isto acontece segundo a vontade Dele e não por nosso merecimento. Nós não merecemos e nunca vamos merecer a graça Dele, é Ele quem nos ama e nos concede a sua graça, segundo o Seu querer.
A 4ª lei que Silas cita, segundo 2Co 9.9 é a “lei da multiplicação”, que na verdade é o mesmo que a “lei da semeadura”. Ou seja, a refutação para a 1ª lei serve para esta 4ª lei também.
Enfim, a 5ª lei. Silas cita o verso 11 que diz “para que tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se dêem graças a Deus”, para fundamentar a “lei da abundância”. Com isso, Silas afirma que Deus é um Deus de sobra, sem mesquinharia. 
Obviamente, ele utiliza este argumento para justificar a suposta abundância da teologia da prosperidade. Mas, ao contrário que ele afirma, o que esta passagem mostra é que, quando Deus nos dá uma provisão financeira, mesmo sendo com sobras, não é para o proveito próprio, e sim para ser usada em generosidade aos necessitados, para a glória de Deus. O versículo é claro quando afirma “...para toda a beneficência”(ACF), “para toda generosidade”(ARA). Veja como viviam os convertidos naquela época: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.” (At 2.44-45, ARA) Este conceito de abundância financeira é, de fato, o mais claro sinal de avareza na vida de alguém: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Mt 12.15, ARA)
Silas ainda cita exemplos do que aconteceu com Adão e Eva no jardim do Éden e a prosperidade de Abraão para afirmar que Deus fará o mesmo com quem ofertar. Isto é um absurdo! Afinal, estes são casos isolados em que Deus agiu com um propósito específico e exclusivo para cumprir os seus planos! Por exemplo: não é porque Deus sustentou o povo no deserto enviando o maná dos céus (Ex 16:35) que ele fará o mesmo hoje da mesma forma conosco. Vai deixar de trabalhar esperando o maná para ver o que acontece!
Para terminar, mostro na Bíblia a verdadeira prosperidade para o Cristão:
"Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia; porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade. Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários". (2Co 8.1-3). 
Antigamente, Silas Malafaia concordava que esta passagem nos mostra a verdadeira prosperidade bíblica, veja o que ele disse muitos anos atrás: "Os pobres da Macedônia dividiram o pouco que tinham com os pobres da Judeia. Isto é prosperidade. Prosperidade é você compartilhar com o outro... é viver bem com aquilo que Deus tem te dado... é mesmo você tendo pouco, você ainda tem forças e capacidade de ajudar alguém que está pior do que você." [7]

Fico na esperança de que esse artigo sirva de alerta para todos aqueles que ainda acreditam na teologia da prosperidade, onde infelizmente nos últimos anos muita gente se corrompeu, contaminando-se nas heresias importadas da teologia de Mamon. 
Espero de coração que Silas Malafaia se arrependa verdadeiramente, voltando ao evangelho puro e verdadeiro. Não existe nada mais nobre para um Cristão do que assumir sua condição de pecador e humildemente reconhecer os seus erros para nunca mais praticá-los.
Soli Deo Gloria! 

Ruy Marinho
Fonte: [ Bereianos ]

Notas:
1 – Vídeo onde Silas Malafaia faz o desafio aos blogueiros e sites de notícias com palavras ofensivas: Clique aqui p/ ver!
2 – Idem.
3 – Como a teologia de Malafaia mudou radicalmente em alguns anos: Clique aqui p/ ver!
4 – A Almeida Corrigida e Fiel é baseada no Textus Receptus (ou texto majoritário), onde a interpretação bíblica segue o método de equivalência formal (literal-gramatical-histórico) das palavras nos originais da Bíblia. Sendo assim, há muitas palavras de difícil entendimento devido à literalidade da tradução. Neste caso, é necessária a análise do contexto direto para um claro entendimento, bem como a leitura de outras versões da bíblia em paralelo. Para mais informações, veja aqui.
5 - GINGRICH, F. W.; DANKER, F. W. Léxico do N.T. grego/português. São Paulo: Vida Nova, 2003. pág. 88.
7 - Idem a nota 3.

sábado, 6 de agosto de 2011

O estadio do corinthians e a torre de babel


 



        X







       Muito tenho ouvido e lido sobre a construção do estádio do Corinthians, o “Itaquerão”, para a Copa do Mundo. A última notícia que li (Folha de São Paulo, 22/07/2011) foi que o estádio irá custar mais 935 milhões de reais; e dizem que essa cifra vai aumentar. 
       E quem paga essa conta? Pelo menos metade sai dos bolsos do contribuinte via prefeitura de São Paulo. Absurdo? Sim, mas nada novo.
       A política do pão e circo, implementada no império romano pelos césares, era uma prática para controlar a população pobre insatisfeita. Durante as lutas de gladiadores, jogava-se pão para o auditório, numa cerimônia sanguinolenta regada a alimento, saciando os sentimentos de desagrado para com os governantes.
       O reaproveitamento dessa prática antiga parece que tem dado certo no Brasil, mesmo em épocas tenebrosas. Em 1950, por exemplo, foi realizada a Copa do Mundo no Brasil. Esta era uma época de grande carestia, com várias greves e diversos problemas sociais. Mas aí veio a copa e varreu tudo pra baixo do tapete e o povo esqueceu seus problemas. Povo feliz esse brasileiro...
       É no mínimo curioso que os locais de prática do futebol carreguem o nome de estádios e tenham muito em comum com a arquitetura dos estádios romanos onde era praticada a política do pão e circo. E não só a arquitetura que é semelhante, a prática parece continuar a mesma.
       Chego no porque vejo uma relação do estádio do Corinthians com a torre de Babel. Assim como a torre de Babel, o estádio brasileiro é um exemplo da autopromoção humana. Sempre quando lemos a história de Babel tendemos a focar nas pessoas começando a falar em línguas diferentes e a ficarem confusas. Mas o que realmente importa naquela história é a demonstração da vontade dos homens de deixarem sua marca, de construírem um nome pra si.
       Pra quem quiser conferia, a narrativa encontra-se em Genesis 11:1-9.
       Contextualmente, a Babilônia (Babel) foi precursora da nossa cultura do materialismo. Ela era famosa por sua riqueza, por seus jardins suspensos e torres altas.  A Babilônia possuía cinco torres, chamados zigurates, cuja função era adorar Marduk, o deus patrono local. Segundo a cosmologia da época, a altura era identificada com céu, e as montanhas lugares sagrados. Os zigurates eram montanhas feitas pelo homem, simbolicamente ligando o céu e a terra.
       Em Genesis 11:3 lemos: “E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal.”
       Sem o avanço tecnológico da invenção dos tijolos as torres não teriam sido possíveis. Construir torres de vários andares como os zigurates da Babilônia exigia a inovação de cozer os tijolos no forno para torná-los muito mais duros. Com o acréscimo do betume disponível na região, usado como argamassa, nasceram as colossais estruturas arquitetônicas.
       Deus ficou evidentemente triste com o fato de que esse projeto de construção que o povo de Babel usava para se auto-promover, distorcia seus valores. Os homens de Babel ultrapassaram os limites humanos ao tentarem alcançar os céus construindo “uma torre cujo cume toque os céus”. Deus tinha de intervir para lembrá-los que os empreendimentos humanos deveriam estar enraizados na terra e servir o povo que ali vivia. Que bela lição para nossos governantes nos dias hoje!
       Embora os babilônicos vissem o zigurate como um cordão umbilical que ligava o homem ao céu – o assim chamado axis mundi, ou “umbigo da terra” – essa história nos lembra de que nos ligamos a Deus por meio de boas obras e não por meio de tijolo e argamassa.
reconstrução artística de um zigurate mesopotâmico

       Os construtores da torre de Babel conseguiram “subjugar a natureza”, transformando um tijolo mole em tijolo duro por meio do cozimento. Com esse avanço tecnológico simples, porém, veio o sobrepujante orgulho de suas próprias criações – o início da idolatria. A arquitetura se tornou objeto de adoração, em vez de ferramenta para servir às necessidades humanas.
       Que fique bem claro: a arquitetura e a tecnologia não são inerentemente nem boas nem más. Podemos aplicar nossa engenhosidade humana para fins construtivos ou destrutivos, conforme nossa escolha. Podemos construir abrigos para os desabrigados ou monumentos para o nosso ego – “para fazer um nome para nós mesmos”. 
       Se pensarmos em um custo de uma casa simples no Brasil, no valor de R$100.000, o que é bem razoável, com o valor do estádio do Corinthians daria para construir 9.350 casas na região de Itaquera. Acho que seria bem mais proveitoso para a população, não seria?
       Enquanto nossos governantes tiverem como seu objetivo principal a autopromoção e nós aceitarmos tudo calados, felizes com o pão e o circo que nos são dados, estaremos adorando o deus errado e à caminho da perdição; espiritual e humana.
        É. Dá o que pensar...

terça-feira, 5 de abril de 2011

A bíblia e sua história

Quero remendar um excelente livro pra quem gosta de se aprofundar no estudo da bíblia e quer conhecer como este livro sagrado chegou até nós. Se trata de "A bíblia e sua história", publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil, tornando-se um livro referência na descrição da história da formação da Bíblia, contando desde as origens dos primeiros livros das escrituras, até a formação dos cânons ao longo dos séculos. Apresentando diversas ilustrações que facilitam a leitura, esta obra apresenta as diversas traduções do livro dos livros até os dias de hoje.
Enfim, uma obra essencial pra se conhecer os torduosos caminhos e agradecer a Deus por termos a possibilidade de consultar uma bíblia com facilidade.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os manuscritos do mar morte e a internet

Fundação israelense responsável pela manutenção dos Manuscritos do Mar Morto faz parceria com Google para disponibilizá-los na web.
A coleção de 972 documentos é um dos grandes achados arqueológicos do século 20. Eles foram descobertos ao sul de Jerusalém em 1964, ao fundo de uma caverna às margens do Mar Morto e possuem mais de dois mil anos.
Ao todos, são mais de 30 mil fragmentos que contém as cópias mais antigas da Bíblia Hebraica, além de outras passagens de importância histórica e religiosa. Devido a sua fragilidade, eles são mantidos em ambientes com luz e temperatura controladas. Um pesquisador que queira ter acesso a eles só pode removê-los por algumas horas, para evitar a deterioração do material.
O objetivo da Israel Antiquities Authority é justamente tornar mais acessível esse conteúdo. Para isso, lançará Biblioteca Digital Leon Levy dos Manuscritos do Mar Morto, um projeto de custo estimado em US$3,5 milhões e que teve início há três anos.
Desde 2008, a IAA vem estudando a melhor maneira de digitalizar essas imagens em alta resolução. O método escolhido foi desenvolvido pela NASA e permite uma qualidade igual à visualização real – ou melhor: graças à luz infravermelha utilizada, será possível visualizar também coisas que já foram apagadas pelo tempo.
O equipamento deve ser instalado no início do ano que vem e, assim que as imagens começarem a ficar prontas, entra em cena a equipe do Google. Sua missão é não só colocar as imagens online, mas traduzir os textos originais em Hebraico, Aramaico e Grego para o Inglês. Além disso, a biblioteca contará com um mecanismo avançado de buscas. O melhor: todas as imagens estarão disponíveis de graça.
fonte: http://lombel.com.br/bereiablog/

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

armagedon

Gostaria de indicar o site americano: http://www.armageddononline.org/
Como o nome já aponta, o site se preocupa em mapear notícias relacionadas ao fim dos dias. São notícias ciêntificas, indo de astrofísica à catastrofes naturais. Pra quem gosta de astronomia e ciência é um prato cheio.




quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

The God delusion debate

    
     Quero chamar a atenção para o debate que ocorreu em 2007, chamado "The God delusion debate". O debate foi inspirado no livro de Richard Dawkins, que no Brasil foi publicado pela Cia dos livros com o título "Deus: um delírio". O debate, patrocinado pela instituição americana cristã Fixed-Point, ocorreu entre dois grandes pensadores atuais. De um lado, Dawkins, biólogo e ateísta e de outro John Lennox, matemático e cristão. 
     O debate, então, se baseou no livro de Dawkins em que ele defende que não existe um criador sobrenatural e que a crença em um Deus pessoal é um ilusão. O autor apresenta inúmeras evidências que tentam provar sua tese. 
     O debate é muito interessante, tendo um embate de idéias bastante embasado, já que ambos os autores tem se dedicado a estudar cada lado da questão. Em minha opinião, Lennox é melhor preparado e apresenta as mais contundentes explicações, enquanto que Dawkins acaba caindo em contradições, que ele mesmo postula como falsas. Um exemplo é a idéia de que o homem naturalmente tende a olhar para o universo e se maravilhar com a sua beleza, querendo assim, adorar um ser maior. 
     Não li o livro que se baseava o debate, mas parece que a leitura que biólogo ateísta faz do cristianismo especificamente é muito pobre, firmando-se em argumentos velhos e batidos, como a diferença entre velho e novo testamento. Inclusive, por isso, acaba cometendo falhas interpretativas básicas acerca da biblia. O autor não apresenta um visão profunda acerca do cristianismo nem de suas escrituras sagradas, o que faz com que seus argumentos, em grande parte generalistas para todas as religiões, acabem sem fundamento quando postas à prova. A idéia de que o cristianismo não é uma religião racional e de que os cristãos não buscam entendimento de seu universo é por demais fraca e é rapidamente esmagada pelo seu debatedor: aliás, Lennox não é um doutor e professor em matemática? Quem mais racional do que um matemático? Inclusive o pensamento lógico de Lennox o favorece no debate, já que consegue ter mais clareza e coerência em suas idéias. 
     É uma grande exposição de idéias, apesar de ter uma fórmula que dificulta a argumentação e contra-argumentação, mas, mesmo assim, uma grande lição acerca do atual debate religião e ciência. Convido a todos, cristãos e não cristãos a buscar a conhecer mais sobre este debate que tem se tornado mais e mais comum ultimamemte.
     O debate pode ser visto no youtube ou baixado na internet.
     
     ps: há um segundo encontro entre os dois debatedores, chamado "Has science buried God?", baseado em um livro de Lennox.

domingo, 18 de julho de 2010

Dúvidas contemporâneas II

Como comentei no primeiro post 'Dúvidas contemporâneas', falaria um pouco sobre o livro Por que você não que mais ir à Igreja?.
O livro pode ser entendido como uma parábola contemporânea. O pastor Jake Colsen está na lida da vida cristã, cheio de dúvidas, quando encontra João. É um encontro bombástico, que começa a fazer Colsen questionar o que ele entende por cristianismo. São muitos encontros com João ao longo do livro e assim, vamos conhecendo um pouco mais da vida do pastor Colsen e o funcionamento de sua igreja.
Percebi, junto com o pastor, como nossa realidade é muito parecida. A forma ritual (apesar de muitos negarem) que um culto evangélico é conduzido, o sentimento de culpa que carrego se faltar em uma reunião, o louvor com letras pobres, enfim, uma série de problemas que tenho varrido para debaixo do tapete e que tem me deixado amortecido. Parece que a frequência com que vou ao culto, leio a Biblia e oro está relacionada com uma tentativa de agradar a Deus e João logo fala, ao pasto Jake e a mim, que nada que façamos pode fazer Deus nos amar mais. Ele já nos ama incondicionalmente. 
Escrevi na primeira pessoa este parágrafo por que me identifiquei muito com o pastor e os problemas apresentados no livro, e penso  neste livro como um convite a pensar criticamente e analisar face às Escrituras a maneira como temos conduzido a igreja nestes dias. Mas fazer isso sem pensar em criar a Igreja ideal, a maneira das comunidades cristãs. João em certo momento fala e aqui parafraseio: "são dois mil anos de história da igreja e até agora não tivemos uma igreja ideal, por que, de repente, teríamos a resposta".
Até modelos contemporâneos, como a igreja em células, foi entendida como esta resposta à forma de conduzir a vida cristã. "Pronto agora, sim. Encontramos o caminho." Daí logo tudo é engessado e institucionalizado e perdemos a graça, em todos os sentidos. Esse formato de "igreja em casa" também é discutido no livro.
São muitos pontos muito interessantes e importantes de serem discutidos. Este livro devia ser amplamente discutido em rodas de amigos, em células, na igreja, em todos os lugares onde evangélicos estiverem presentes. Não como "O livro", mas como um bom panfleto para se fazer pensar. Alías, isto é o que tem faltado no "universo" evangélico. Pensar.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Dúvidas contemporâneas

     A instituição da igreja está em crise. Isto não é nenhuma novidade, mas muitos ainda não percebem isto. A busca desorientada por respostas e preenchimento de um vazio acabou gerando o fenômeno editorial de livros de auto-ajuda. É só entrar em uma livraria ou pesquisar em listas dos mais vendidos: lá estão os livros de auto-ajuda, onipresentes nas prateleiras. 
     Muitos cristãos têm enfrentado este dilema, apesar de as estatísticas não ousarem demonstrar o afastamento dos fiéis da igreja. Por exemplo, hoje em dia louva-se o aumento de evangélicos na Brasil, mas a "qualidade" destes novos crentes não é discutida. 
     Assim, temos caminhado para uma excelência em níveis estruturais: temos belos templos, músicos bem capacitados, pregações intelectualmente desafiantes. Mas, mesmo assim, de vez em quando, sente-se um vazio. Por que, apesar de todo o avanço da igreja evangélica, sentimos que não queremos mais ir à igreja? É o que vem incomodando um número cada vez maior de crentes, mas poucos procuram a razão dessa frustração. 
     No próximo post apresentarei minha leitura de um livro que tem dado muito o que falar e que trata desses questionamentos: "Por que você não quer ir mais à igreja?" de Wayne Jacobsen e Dave Coleman.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Declaração conjunta sobre a doutrina da justificação

   Esta é uma notícia já meio antiga, mas como tenho certeza que poucos a conhecem posto aqui pela sua importância.
   Há dez anos atrás, em 31 de Outubro de 1999, Luteranos e Católicos assinavam a Declaração Conjunta sobre a Doutrina  da Justificação.
   Embora com divergências lógicas, luteranos e católicos apontaram as convergências e afirmaram que ambos professam a mesma fé na doutrina da salvação, da maneira apregoada por Lutero com relação à justificação. O documento chega a afirmar sete vezes "confessamos juntos".
   Na primeira delas o conteúdo é o seguinte:
   "Confessamos juntos: somente pela graça, na fé na obra salvífica de Cristo, e não por causa de nosso mérito, somos aceitos por Deus e recebemos o Espírito Santo, que nos renova os corações e nos capacita e chama para as boas obras."
   Claro que, como aponta a própria Declaração, não se quer abarcar tudo o que é ensinado sobre a justificação  em cada uma das Igrejas, mas com certeza, esta é um grande passo no Reino de Deus.
   A Declaração pode ser lida na íntegra aqui.

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